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Louvor Congregacional - parte 1: o som dos cultos

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Antes da reforma musical de Martinho Lutero e João Calvino no século 16, quem ia à igreja raramente cantava. A parte musical era desempenhada exclusivamente por profissionais, que, além de tudo, cantavam num idioma desconhecido para a maioria das pessoas (o latim), enquanto a congregação praticamente só assistia à missa. Alguns reformadores protestantes devolveram a música de louvor e adoração para a congregação, e hoje ninguém imagina entregar o ato de louvor para um corpo profissional de “adoradores”.
No entanto, às vezes levamos o louvor congregacional de volta aos tempos anteriores à Reforma. Isso acontece por alguns motivos, dentre os quais destaco: (1) o volume alto da banda e das vozes que acompanham o momento de louvor e (2) o desconhecimento dos cânticos, tradicionais ou contemporâneos, selecionados para os cultos.

Aumentar o volume dos instrumentos musicais não vai aumentar o espírito de louvor da congregação. Como já sabemos, a igreja não vai tentar cantar mais forte que o so…

quando Martin Luther King discursou numa universidade adventista

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Martin Luther King foi assassinado há 50 anos, em 4 de abril de 1968. Seu ativismo social pacifista transformador e o poder de seus discursos são bem conhecidos e estão eternizados em vídeos, livros e filmes [recomendo o ótimo "Selma"]. O que eu ignorava até outro dia é que o Dr. King esteve em Oakwood College, universidade adventista, em 19 de março de 1962 e proferiu um discurso semelhante ao famoso "I Have a Dream" [Eu tenho um sonho], feito em 1963 durante a Marcha sobre Washington. Quando Luther King foi à cidade de Hunstville, o único lugar em que poderia discursar era a Oakwood College, instituição adventista criada em 1896, no Estado do Alabama, para proporcionar acesso à educação aos jovens negros do Sul dos Estados Unidos [vale lembrar que se tratava do mesmo Alabama em que Luther King liderara em 1955 um boicote aos ônibus da cidade de Montgomery]. O Prof. Dr. Mervyn Warren lecionava em Oakwood e lembra do impacto da presença de Luther King: "Ele falav…

los perfeccionistas musicales #3: decadência musical

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- Mestre, quem é o culpado pela decadência musical: o cantor, o mercado ou a mídia?
Respondeu-lhes o mestre:

- Nenhum destes, e sim, vocês mesmos que ensurdecem os artistas, beijam a mão invisível do mercado e assentam diante do trono da mídia. Porque nisto verdadeiramente consiste a decadência: que as pessoas não vão ouvir música, mas venerar seus ídolos.

o que nos diriam os reformadores 500 anos depois da Reforma?

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500 anos depois das 95 Teses luteranas, muitas pessoas conhecem o dia 31 de outubro apenas como o dia do Halloween. Muita gente acredita que a Reforma Protestante foi "apenas" um acontecimento religioso e nem se dá conta de que as reformas que vieram na esteira do 31.10.1517 mudaram para sempre o pensamento e o modo de vida ocidentais.
Ninguém dormiu católico em 31 de outubro e acordou protestante no dia 1º de novembro, mas é certo que os ventos religiosos logo se tornaram uma tempestade política, social e cultural que estremeceu a Europa e, gradualmente, as reformas do século 16 foram se estendendo pelos séculos seguintes abalando as estruturas de uma velha sociedade e construindo a partir de suas entranhas um novo modo de ver as relações entre Igreja e Estado, o acesso ao saber científico, a educação massiva da população, a excelência profissional, a autonomia do indivíduo, a defesa da liberdade de consciência.
Evangélicos contemporâneos nem imaginam que a existência de sua …

O Som da Reforma: a música no tempo dos primeiros protestantes

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Este é o livro O SOM DA REFORMA, do qual sou autor e organizador. Este livro trata da música dos primeiros protestantes:

A celebração dos 500 anos da Reforma Protestante é uma grande oportunidade para quem reflete sobre o cenário religioso contemporâneo. É buscar uma iluminação para viver e compreender o presente. Entre as frentes para reflexão está a música, que tem lugar privilegiado na expressão da fé protestante. No movimento da Reforma, os hinos atuaram como veículos propagadores de novas doutrinas, o que se tornou uma prática marcante deste segmento cristão.

No presente, em que a música ocupa lugar cada vez mais destacado no culto evangélico, desta vez em um casamento estreito com o mercado e as mídias, ter acesso à produção contida neste livro é um privilégio. A obra reúne 13 textos de autores que são mestres e doutores, historiadores, músicos e educadores. Por meio deles, é possível aprender sobre a música de Lutero e Calvino, de anabatistas e anglicanos, passando pela Reforma C…

a relação entre sermões e músicas

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Não é incorreto dizer que a música cristã contemporânea valoriza temas como vitória pessoal e paixão por Jesus. Mas não está totalmente certo dizer que a predominância dessa religião individualista e sentimental é culpa exclusiva dos compositores. Na verdade, esses temas correspondem aos temas predominantemente abordados no púlpito das igrejas. Proliferam vídeos e sermões que apresentam Deus como o sócio para os negócios e Jesus como o ser meigo e bondoso que dá um abraço quando você chora.

Não estou dizendo que o Pai e o Filho não se importam com os problemas da vida humana, mas Cristo não morreu na cruz para levantar minha autoestima.

Há quase uma relação direta entre uma sociedade que valoriza tanto o sucesso pessoal e igrejas que trocaram o sermão bíblico pela palestra motivacional. Queremos tanto resolver nossos problemas profissionais e familiares que ao chegarmos na igreja esperamos uma mensagem terapêutica que nos faça rir, chorar e tomar boas decisões que du…

los perfeccionistas musicales #2: uma harpa tem Davi

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Naqueles dias, havia diversas pessoas que faziam palestras sobre música sacra, sendo que o povo acorria a tais eventos em grande número, especialmente se o palestrante não tivesse formação musical alguma e se chamasse o pecado pelo nome de bateria.

- Ouviste, mestre, que o palestrante provou biblicamente que se tocarmos a música adequada – a suave – com o instrumento adequado, como a harpa, então os espíritos maus fugirão, tal como na história de Davi ao tocar diante do rei Saul?
- Então, vós e vosso palestrante tens lido somente os trechos bíblicos que vos interessam. Pois se é verdade que está escrito em 1 Samuel 16:23 que “Davi tocava a harpa e Saul se sentia melhor, e o espírito mau se retirava dele”, também está escrito em 1 Samuel 18:10-11 que noutro dia Davi tocava a harpa diante de Saul e este atirou uma lança em Davi. E noutra ocasião, registrada em 1 Samuel 19:9-10, tocava Davi sua harpa e procurou Saul com sua lança matar a Davi, “porém ele se desviou de Saul, o qual feriu …