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Mostrando postagens de Junho, 2008

O Google emburrece a gente?

Já escrevi por aqui que há quem, no decorrer de um (im)produtivo dia de trabalho, sempre tem cinco minutos para passar três horas no msn. Mas há um outro grupo: aqueles que abrem quantas páginas da internet puderem e dedicam-se à leitura rápida e indolor de sites à granel, de blogs à roldão. A linguagem da internet raramente é prolixa e já agregou os maus modos de se escrever em outra gramática - e já tem intelequitual celebrando o gramaticídio; não existe pecado ao sul do Equador nem erros de português na cyberdemocracia. Não pense o amigo que sou algum neoludista que declarará guerra às máquinas. Que nada; amo muito tudo isso. Não faço o tipo que preferiria viver no milênio passado, sem fax, sem elevador, sem chuveiro, sem liquidificador, sem vasos e descargas, sem freezer, sem lâmpadas, enfim, nas trevas de uma Sibéria total.

Porém, a cada site visitado estamos mais semelhantes às criaturas que inventamos. Estamos cada vez mais optando por livros menores e telas maiores, frases lige…

Nos embalos da Cristoteca

A reportagem de Janaína Linhares no Jornal do Brasil de 15 de junho revela que o funk caiu também nas graças da Igreja Católica. Segundo a repórter, “numa tentativa de reverter a perda de fiéis, [...] algumas paróquias da cidade decidiram colocar em prática uma espécie de Plano B para lá de excêntrico: transformar as missas em uma grande festa e, assim, aumentar o rebanho jovem. E foi assim, ao som do funk, do hip hop e da música eletrônica, que a comemoração católica batizada de Cristoteca se tornou uma mania”.

A jornalista notou que o público era predominantemente jovem e, apesar da ausência bebidas alcoólicas e cigarros, ela comparou o evento a “uma noitada carioca” embalada por “palmas e coreografias ao som da celebração à palavra de Deus”.

O padre Jorge Bispo considera a Cristoteca “um trabalho de resgate com a juventude”, motivo da utilização das “músicas que eles gostam, só que com letras católicas”.

Ainda segundo a reportagem, “apesar da animação, nem tudo no evento se resume à m…

O amor nos tempos da canção

Cada um tem a trilha sonora de seu amor. A donzela apaixonada, o mancebo arrebatado e os eternos-enquanto-dure namorados não resistem a uma canção romântica. Porque quando um homem ama uma mulher (ou when a man loves a woman, o amor é estranhamente poliglota) e vice-versa é possível inclusive gostar de canções que antes viviam sozinhas e desprezadas.

Pode ser como Julie Andrews como ex-noviça rebelde revelando seu amor com a belíssima Something Good, de Richard Rodgers, ou como os personagens cantando sua paixão em Todos dizem eu te amo. Pode ser que seus momentos sejam como o encontro em Notting Hill de Hugh Grant e Julia Roberts ao som de She, na voz de Elvis Costello (não me lembro de nenhum equivalente romântico no cinema nacional. E apelar pra Marina Elali aí já é forçar demais o romance).

A cena de Ewan McGregor e Nicole Kidman cantando o amor que sentem um pelo outro em Moulin Rouge dá o tom dos enamorados: os versos mais desabridos de paixão das canções mais desbragadas de amor…

O que é música mesmo?

Definir o que é música tem sido uma tarefa bem movimentada para os enciclopedistas. O conceito é renovado periodicamente toda vez que um especialista vem a público ressemantizar a palavra. Na era dos blogs então...

Lisa Hirsch define: música é som organizado se movendo no tempo. Para Scott Spiegelberg, autor do blog Musical Perceptions , este é um conceito muito estrito, pois criaria problemas para as músicas de John Cage e toda a música aleatória.

Ele sugere que música é som considerado como arte. Esta definição permite considerar a canção dos pássaros e outros sons naturais como música, mesmo que não tenham sido “organizados”. Permite que o som da estática seja música, desde que alguém o perceba de um modo artístico (podem até chamar de música ruim caso suas conexões artísticas sejam demasiado tênues). Essa definição também remove o problema a respeito do criador musical, realocando a questão de definir música para o espectador.

O problema dessa definição, creio eu, está na classifica…

Penalidade máxima para Edmundo

Edmundo, vulgo Animal, perdeu a senha quando estava na fila dos predestinados à glória dos estádios lotados. Como penalidade, não poderia pisar jamais o gramado prometido dos heróis do futebol. Relembremos sua trajetória de proezas tão espetaculares quanto funestas.

Após a conquista de um bicampeonato brasileiro e no auge da fama, a apaixonada torcida do Palmeiras via tudo e a tudo perdoava: o Animal era um insensato dentro e fora do campo, mas resolvia todas as duras paradas da equipe. Porém, Edmundo é seduzido por times italianos, resolve trocar as aventuras tupis do Maracanã pelos triunfos eternos do Coliseu e deixa a torcida gritando à toa: “Fica Edmundo / Você vai ser campeão do mundo”. Ingênuo Animal. Chega à terra dos Césares e nem late nem morde. Uma frustração só.

Em 1997, ninguém jogou mais do que Edmundo. Um dia, ele tem a chance de bater o recorde de gols numa mesma partida do campeonato. Só há um problema: esta chance é um pênalti. Como aluno formado na Academia Roberto Bag…

Alex Klein: música para viver

Em 1998, Alex Klein consolidava uma brilhante carreira como o primeiro oboísta da Sinfônica de Chicago. Junto com o pianista Nelson Freire e o violoncelista Antonio Meneses, forma uma tríade de músicos brasileiros com livre trânsito nas grandes salas de música do mundo. Mas também foi há 10 anos, que ele percebeu os primeiros sinais da distonia, doença que viria a mudar por completo seus planos musicais.

A distonia focal é uma doença neurológica que provoca contrações involuntárias dos músculos, ocasionando deformações na postura e nos movimentos musculares. Segundo o próprio Klein, "para tocar oboé surgiu uma dificuldade que não existia antes. Danificou-se a linha de conhecimento que montei durante 30 anos para tocar de forma precisa e afinada, para soprar da maneira correta. Já a linha de conhecimento para tocar corne inglês não foi afetada. Parece misterioso, mas a neurologia explica".
Klein revela que "quando o diagnóstico se confirmou, comecei a pensar em outras opç…