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a relação entre sermões e músicas

Não é incorreto dizer que a música cristã contemporânea valoriza temas como vitória pessoal e paixão por Jesus. Mas não está totalmente certo dizer que a predominância dessa religião individualista e sentimental é culpa exclusiva dos compositores. Na verdade, esses temas correspondem aos temas predominantemente abordados no púlpito das igrejas. Proliferam vídeos e sermões que apresentam Deus como o sócio para os negócios e Jesus como o ser meigo e bondoso que dá um abraço quando você chora.

Não estou dizendo que o Pai e o Filho não se importam com os problemas da vida humana, mas Cristo não morreu na cruz para levantar minha autoestima.

Há quase uma relação direta entre uma sociedade que valoriza tanto o sucesso pessoal e igrejas que trocaram o sermão bíblico pela palestra motivacional. Queremos tanto resolver nossos problemas profissionais e familiares que ao chegarmos na igreja esperamos uma mensagem terapêutica que nos faça rir, chorar e tomar boas decisões que duram até alcançarmos a porta de saída do templo. Bíblia? Use uns poucos versículos fora de contexto para dizer que o indivíduo é a obra-prima de Deus e que Jesus te ama e que Ele quer te dar muito mais do que você possui. Não são assim muitas letras da música gospel em português ou em inglês?

A canção cristã precisa ser reformada, dizemos. A reforma da música e da adoração está relacionada à reforma do púlpito, e aí não haverá tantos cânticos teologicamente rasos espelhando sermões biblicamente superficiais.


~resumo do resumo do que falei no dia 4 de junho, na IASD Juvevê, onde abordei dois princípios da Reforma Protestante, o Sola Scriptura [somente a Bíblia] e o Soli Deo Gloria [glória só a Deus], para falar sobre a relação entre o conhecimento da Bíblia e a adoração a Deus.

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